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Pessoal5 min de leitura8 de março de 2026

Acordo de pensão alimentícia: modelo, como fazer e homologar

O que é pensão alimentícia?

A pensão alimentícia é uma obrigação legal de prestar assistência financeira a quem não pode se sustentar por conta própria. No Brasil, é regulada pelo Código Civil (artigos 1.694 a 1.710) e pela Lei de Alimentos (Lei 5.478/68). Ao contrário do que muitos pensam, a pensão alimentícia não se destina apenas a filhos menores — ela pode ser devida a ex-cônjuges, pais idosos, e até mesmo entre parentes próximos.

O termo "alimentos" no direito abrange muito mais do que comida. Inclui moradia, saúde, educação, vestuário, lazer e tudo o que é necessário para uma vida digna. A fixação do valor leva em conta dois critérios fundamentais: a **necessidade** de quem recebe e a **possibilidade** de quem paga.

A pensão pode ser fixada judicialmente (por sentença ou decisão interlocutória) ou extrajudicialmente (por acordo entre as partes, preferencialmente homologado em juízo). Neste artigo, vamos focar no acordo de pensão alimentícia e em como fazê-lo de forma correta e segura.

Quem tem direito a receber pensão

O direito à pensão alimentícia pode existir em diversas relações: - **Filhos menores**: é o caso mais comum. Os pais têm obrigação de sustento até os 18 anos, podendo se estender até os 24 se o filho estiver cursando ensino superior - **Filhos maiores incapazes**: se o filho é portador de deficiência ou doença que o impeça de trabalhar, a obrigação pode ser permanente - **Ex-cônjuge ou ex-companheiro**: quando há dependência econômica comprovada após o divórcio ou dissolução da união estável - **Pais idosos**: filhos podem ser obrigados a pagar pensão aos pais que não podem se sustentar - **Outros parentes**: na falta de parentes mais próximos, a obrigação pode recair sobre parentes mais distantes

Acordo extrajudicial vs judicial

Existem duas formas de fixar a pensão alimentícia, e cada uma tem suas vantagens e limitações.

Acordo extrajudicial

O acordo extrajudicial é feito diretamente entre as partes, sem necessidade de processo judicial. Pode ser formalizado por escrito, com assinatura de ambas as partes e, preferencialmente, de um advogado.

**Vantagens:** - Rapidez na resolução - Menor custo (sem custas judiciais) - Flexibilidade para negociação - Preservação do relacionamento entre as partes

**Limitações:** - Não tem força executiva direta (se não for homologado) - Em caso de descumprimento, será necessário ajuizar ação para cobrar - Não permite prisão civil do devedor (sem homologação judicial)

Acordo judicial (homologado)

O acordo judicial pode ser feito de duas formas: durante um processo de alimentos já em curso, ou por meio de uma ação específica para homologação do acordo extrajudicial.

**Vantagens:** - Tem força de título executivo judicial - Permite execução direta em caso de descumprimento - Pode levar à prisão civil do devedor inadimplente - Segurança jurídica plena para ambas as partes

**Como homologar:** 1. As partes celebram o acordo por escrito 2. Um advogado (pode ser um para ambas as partes, desde que não haja conflito) peticiona ao juiz 3. O Ministério Público se manifesta (obrigatório quando envolve menores) 4. O juiz homologa o acordo por sentença 5. O acordo passa a ter força de sentença judicial

Como calcular o valor da pensão alimentícia

O cálculo da pensão é um dos pontos mais sensíveis e frequentemente geradores de conflito. Não existe um percentual fixo na lei — o valor é determinado caso a caso.

O binômio necessidade x possibilidade

A base do cálculo é o equilíbrio entre: - **Necessidade do alimentando**: quanto custa manter a vida digna de quem receberá (moradia, alimentação, saúde, educação, vestuário, lazer) - **Possibilidade do alimentante**: quanto o pagador pode arcar sem comprometer sua própria subsistência

A "regra" dos 30%

Embora não exista previsão legal, a jurisprudência consolidou a prática de fixar a pensão em torno de 30% dos rendimentos líquidos do alimentante quando se trata de um filho. Esse percentual pode variar para mais ou menos conforme as circunstâncias: - Mais de um filho: o percentual total pode ser dividido - Alimentante com renda muito alta: o percentual pode ser menor - Alimentante com renda muito baixa: pode ser fixado um valor mínimo (geralmente 30% do salário mínimo)

Pensão para autônomos e profissionais liberais

Quando o alimentante é autônomo, profissional liberal ou empresário, o cálculo é mais complexo. Nesses casos, consideram-se: - Declaração de Imposto de Renda - Movimentação bancária - Padrão de vida demonstrado (veículos, imóveis, viagens) - Sinais exteriores de riqueza

Pensão in natura

A pensão não precisa ser necessariamente em dinheiro. As partes podem acordar que o alimentante pague diretamente despesas específicas como escola, plano de saúde, aluguel ou outras necessidades. Isso é chamado de pensão in natura.

Modelo de acordo de pensão alimentícia

Um acordo de pensão alimentícia bem elaborado deve conter:

Identificação das partes

Dados completos do alimentante (quem paga) e do alimentando (quem recebe). No caso de menores, incluir os dados do representante legal (geralmente o genitor que detém a guarda).

Valor e forma de pagamento

Especifique: - Valor fixo em reais ou percentual sobre os rendimentos - Data de vencimento mensal - Forma de pagamento (depósito bancário, PIX, desconto em folha) - Dados bancários para depósito - Índice de reajuste anual (IPCA, INPC ou salário mínimo)

Pensão complementar

Além do valor fixo mensal, é comum incluir obrigações complementares: - Pagamento de plano de saúde - Custeio de escola e material escolar - 50% de despesas médicas extraordinárias - 50% de atividades extracurriculares

Décimo terceiro e férias

Preveja se haverá pagamento de parcela extra no mês de dezembro (como um "13º de pensão") ou valores adicionais durante as férias escolares.

Prazo de vigência

Defina até quando a pensão será devida: - Até a maioridade do filho (18 anos) - Até a conclusão do ensino superior (geralmente 24 anos) - Enquanto perdurar a necessidade (para ex-cônjuge ou pais idosos) - Prazo determinado (em casos de pensão compensatória)

Cláusula de revisão

Preveja as hipóteses de revisão do valor: - Mudança significativa na renda do alimentante - Mudança nas necessidades do alimentando - Inflação acumulada - Novo casamento ou nascimento de outro filho do alimentante

Homologação do acordo

Para que o acordo tenha plena eficácia, a homologação judicial é altamente recomendada, especialmente quando envolve filhos menores.

Passo a passo da homologação

1. **Redija o acordo**: pode ser feito com auxílio de advogado ou mediador 2. **Contrate advogado**: obrigatório para petição judicial. Ambas as partes podem usar o mesmo advogado se não houver conflito 3. **Petição ao juiz**: o advogado apresenta o acordo ao juiz da Vara de Família 4. **Manifestação do Ministério Público**: obrigatória quando há menor envolvido. O promotor verifica se o acordo atende ao interesse da criança 5. **Sentença homologatória**: o juiz analisa o acordo e, se estiver de acordo com a lei, homologa por sentença 6. **Registro**: a sentença é registrada e passa a ter força executiva

Custos da homologação

  • Honorários advocatícios: R$ 1.500 a R$ 5.000 (varia conforme o profissional e a região)
  • Custas judiciais: isentas para beneficiários de justiça gratuita; caso contrário, varia por estado
  • Prazo: geralmente 30 a 90 dias, dependendo da comarca

Homologação em cartório

Desde 2007 (Lei 11.441), é possível homologar acordos de pensão em cartório de notas (escritura pública), desde que não haja menor ou incapaz envolvido. É mais rápido e prático que o processo judicial.

Revisão do valor da pensão

A pensão alimentícia pode ser revisada a qualquer momento, desde que haja mudança nas circunstâncias que justifique a alteração.

Quando pedir revisão

  • Perda de emprego ou redução significativa de renda do alimentante
  • Aumento substancial das necessidades do alimentando (doença grave, mudança de escola)
  • Melhoria significativa na renda do alimentante
  • Maioridade do filho com ingresso no mercado de trabalho
  • Novo casamento do alimentante com aumento de despesas familiares

Como pedir revisão

Se as partes concordarem, podem fazer um novo acordo (e homologá-lo). Se não houver consenso, será necessário ajuizar ação revisional de alimentos perante a Vara de Família.

Consequências do não pagamento

O não pagamento da pensão alimentícia é uma das poucas hipóteses de prisão civil no Brasil.

Prisão civil

O devedor de pensão alimentícia pode ser preso por até 3 meses (em regime fechado ou semiaberto). A prisão é uma medida coercitiva — o objetivo é forçar o pagamento, não punir. Assim que o devedor paga o débito, é liberado.

Protesto do nome

A Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil) permite o protesto da certidão de dívida alimentar, o que inclui o nome do devedor nos cadastros de inadimplentes (SPC/Serasa).

Penhora de bens e salário

O juiz pode determinar a penhora de bens do devedor e até o desconto direto em folha de pagamento (limitado a determinado percentual dos rendimentos).

Multa e juros

Sobre o valor em atraso incidem correção monetária, juros de mora de 1% ao mês e multa de até 10% por atraso no pagamento.

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